A própolis é uma substância resinosa que abelhas coletam de diversas partes das plantas e misturam com cera, pólen e secreções salivares. Sua composição é complexa e varia conforme a vegetação da região de coleta. Na colmeia, a própolis é usada para selar fissuras e embalsamar invasores, prevenindo a decomposição e o crescimento de micro-organismos prejudiciais à colônia. Devido à sua composição rica em compostos biologicamente ativos, a própolis tem propriedades que a tornam benéfica para a saúde, sendo amplamente usada ao redor do mundo. Uma dessas propriedades é o seu poder antioxidante.
Radicais Livres e Antioxidantes
Para compreender o efeito antioxidante da própolis, é essencial definir alguns conceitos. Antioxidantes são substâncias que, em baixas concentrações, inibem ou retardam a oxidação de substratos. Já os radicais livres são espécies altamente reativas, com um elétron desemparelhado que os torna instáveis e agressivos com outras moléculas. Eles podem danificar células e estão relacionados ao surgimento de doenças como doenças cardiovasculares, reumáticas, neurológicas, psiquiátricas, além de envelhecimento precoce, câncer, osteoporose, diabetes e condições inflamatórias.
Antioxidantes presentes na dieta, como os compostos fenólicos (flavonoides e taninos), ajudam a combater esses radicais livres. A própolis é rica em polifenóis, especialmente flavonoides, que têm capacidade de inibir a oxidação e atuar como antioxidantes. Nas plantas, esses compostos auxiliam na defesa contra radiação UV, insetos, fungos, vírus e bactérias.
Ação Antioxidante da Própolis
A própolis tem sido objeto de vários estudos que isolaram compostos específicos, como o CAPE (éster fenetílico do ácido cafeico), associados à sua ação antioxidante. No entanto, mesmo sem o CAPE, extratos de própolis ainda apresentaram essa atividade, indicando que outros compostos também contribuem para o efeito antioxidante. Um dos mecanismos sugeridos para essa ação é o sequestro de radicais livres gerados por células de defesa, como os neutrófilos, resultando em um efeito anti-inflamatório.
Envelhecimento e Estresse Oxidativo
O envelhecimento precoce é acelerado por oxidações que formam radicais livres, causando estresse oxidativo, que altera proteínas e danifica células. Embora a pele tenha um mecanismo de defesa próprio, essa proteção diminui com a idade. Assim, antioxidantes exógenos, provenientes da alimentação, reforçam a defesa natural e limitam as reações oxidativas prejudiciais. Isso justifica o consumo crescente de alimentos funcionais, ricos em antioxidantes.
Conclusão
O potencial antioxidante da própolis pode contribuir para um estilo de vida saudável, prevenção de doenças e retardamento do envelhecimento precoce. Contudo, é importante ressaltar que produtos contendo própolis com indicações terapêuticas devem ser registrados como medicamentos, conforme a Resolução RDC n° 132 de 2003.
Referências
- Melo, A.A.M. et al. Capacidade antioxidante da própolis. Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 44, n. 3, p. 341-348, jul./set. 2014.
- Cunha, A.L. et al. Fundamentos químicos da ação dos radicais livres no organismo. Diversitas Journal, 1(1), jan./abr. 2016.
- Bianchi, M.L.P; Antunes, L.M.G. Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta. Rev. Nutr., Campinas, 12(2): 123-130, maio/ago., 1999.
- Hirata, L.L. et al. Radicais livres e o envelhecimento cutâneo. Acta Farm. Bonaerense, 23(3): 418-24, 2004.
- Paulino, N. et al. Tratado de propoterapia clínica, Vol. 1, São Paulo: Editora Nelpa, 2016.
- Atividade antioxidante de própolis verde, marrom e avermelhada de regiões que contêm alecrim-do-campo. Disponível em: APACAME. Acessado em: 30/06/2017.