PRODUTOS APÍCOLAS E SUAS ORIGENS

Recentemente foi discutido um projeto de Lei (PLC 36/2017) que tem como objetivo alterar a classificação do mel para produto de origem mista. Isso significa que o mel deixaria de ser considerado de origem animal e passaria a ser classificado como de origem vegetal.  Esse projeto de lei segue no Plenário do Senado e, apesar das possibilidades de ser aprovado tal como está serem mínimas, abriu uma discussão em relação a classificação desse produto e de outros compostos de abelhas como, por exemplo, a própolis.

Atualmente, podemos classificar o mel como sendo Mel Floral ou Mel de Melato. O Mel Floral é obtido dos néctares das flores e ainda pode ser classificado como sendo mel unifloral ou monofloral (quando o produto procede principalmente da origem de flores de uma mesma família, gênero ou espécie) ou mel multifloral ou polifloral (obtido a partir de diferentes origens florais). Já o Mel de Melato é formado principalmente, a partir de secreções de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas que se encontram sobre elas. Para transformar o néctar em mel, há uma participação ativa da abelha.

Ela possui glândulas localizadas na cabeça que secretam duas enzimas que reagem com o açúcar do néctar. Uma enzima transforma o néctar em glicose e frutose, já a outra é responsável pela acidez do mel, impedindo a fermentação. Batendo as asas, a abelha seca o excesso de água presente nesse néctar.

Logo, em relação ao mel sem a colaboração das abelhas, realmente não teríamos o excelente alimento que conhecemos. Se na produção do mel as abelhas desempenham um papel extremamente importante para obtenção do produto tal como o conhecemos, não podemos afirmar em relação a obtenção da própolis.

A própolis é uma resina natural produzida pelas abelhas a partir de substâncias coletadas em diferentes partes das plantas, como brotos, casca, botões florais e exsudatos resinosos. Elas transportam estas substâncias até a colmeia e as modificam por meio de adição de cera e saliva. A composição do produto obtido é extremamente complexa, sendo formada por centenas de substâncias, logo a origem botânica parece ser o fator mais importante a ser considerado na tentativa de explicar a variabilidade química entre diferentes amostras de própolis.

Apesar da própolis ser considerada de origem animal, sua composição é proveniente dos vegetais presentes na região onde as colmeias foram instaladas.  Afirmar que a própolis tem origem vegetal não é algo que possa ser considerado incorreto, quando levamos em conta que na sua elaboração ocorre adição apenas de cera e saliva por parte das abelhas e que todas as suas conhecidas propriedades (antioxidante, anti-inflamatória, antimicrobiana, cicatrizante) são provenientes dos inúmeros compostos coletados dos vegetais. Outro produto que, apesar de ser considerado de origem animal, é retirado diretamente dos vegetais é o pólen.

O Polén é o gameta masculino das flores e é coletado pelas abelhas para servir de fonte de proteína. Ao coletar os grãos esses insetos usam a saliva para aglutinar as partículas e transportá-las para o interior das colmeias.

Referências:

Mendes,C.G. et al. As análises de Mel: revisão. Caatinga (Mossoró,Brasil), v.22, n.2, p.07-14, abril/junho de 2009.

Como é feito o mel? <https://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/como-e-feito-o-mel/#

Pólen, ganhe mais energia <https://saude.abril.com.br/bem-estar/polen-ganhe-mais-energia-com-os-graos

compartilhar